InícioDúvidas dos Pacientes › Colesterol Alto: Sintomas e Tratamento
Educação em Saúde · Cardiometabólico

Colesterol alto: o que é, sintomas e como tratar

Dr. Noé Alvarenga
Dr. Noé Alvarenga · Médico Nutrólogo · CRM-RJ 52 55524-5 · RQE 33056
Revisado em julho de 2026

Seu exame veio com colesterol alterado? Na Nutrobarra avaliamos o seu risco cardiovascular de forma completa e tratamos pelo convênio.

Agendar Consulta

O que é colesterol?

O colesterol é uma gordura (lipídeo) produzida principalmente pelo fígado e obtida em menor parte pelos alimentos. Ele é essencial para o funcionamento do organismo: faz parte da membrana de todas as células, é matéria-prima para hormônios como testosterona e estrogênio, e é necessário para a produção de vitamina D e bile.

O problema não é ter colesterol — é ter os tipos errados em quantidades erradas. O colesterol circula no sangue carregado por proteínas chamadas lipoproteínas. São elas que definem se o colesterol é "bom" ou "ruim".

LDL, HDL, VLDL e não-HDL: qual é a diferença?

LDL — o colesterol "ruim"

O LDL (lipoproteína de baixa densidade) carrega colesterol do fígado para os tecidos. Quando está em excesso, deposita-se nas paredes das artérias formando as chamadas placas de aterosclerose — o principal mecanismo por trás do infarto e do AVC.

É o principal alvo do tratamento. Quanto mais baixo, melhor — principalmente em quem já teve evento cardiovascular.

HDL — o colesterol "bom"

O HDL (lipoproteína de alta densidade) faz o caminho inverso: retira colesterol das artérias e devolve ao fígado para ser eliminado. Funciona como um "lixeiro vascular". HDL alto é protetor; HDL baixo aumenta o risco cardiovascular.

VLDL — o transportador de triglicerídeos

O VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade) é produzido pelo fígado e transporta principalmente triglicerídeos. Quando o VLDL é degradado no sangue, parte dele se converte em LDL. Por isso, triglicerídeos altos costumam andar junto com LDL alto e HDL baixo.

Colesterol não-HDL

O colesterol não-HDL é a soma de todos os carregadores "ruins": LDL + VLDL + IDL + Lp(a). É calculado subtraindo o HDL do colesterol total. Muitos especialistas consideram o não-HDL um preditor de risco cardiovascular mais preciso do que o LDL isolado, especialmente em quem tem triglicerídeos altos.

Colesterol total = LDL + HDL + VLDL (+ outros). O colesterol total sozinho diz pouco — o que importa é a proporção entre as frações.

Quais são os valores normais do colesterol?

Os valores de referência variam conforme o risco cardiovascular individual. De forma geral, para adultos sem histórico de doença cardiovascular:

  • Colesterol total: desejável abaixo de 190 mg/dL
  • LDL: abaixo de 130 mg/dL (baixo risco), abaixo de 70 mg/dL (alto risco), abaixo de 50 mg/dL (risco muito alto)
  • HDL: acima de 40 mg/dL em homens e 50 mg/dL em mulheres
  • Não-HDL: abaixo de 160 mg/dL (baixo risco)
  • VLDL: abaixo de 30 mg/dL

Esses valores são pontos de corte populacionais. O médico define a meta individual baseado no risco cardiovascular calculado — alguém que já teve infarto tem metas muito mais agressivas do que alguém jovem e saudável.

Colesterol alto tem sintomas?

Na grande maioria dos casos, não. O colesterol alto é chamado de "assassino silencioso" justamente porque não provoca sintomas perceptíveis até que uma complicação grave aconteça — infarto, AVC ou doença arterial periférica.

Em casos raros de hipercolesterolemia familiar grave (condição genética), podem aparecer sinais visíveis como:

  • Xantomas: depósitos de gordura sob a pele, especialmente nos tendões e cotovelos
  • Xantelasmas: placas amareladas nas pálpebras
  • Arco corneal: anel branco-acinzentado ao redor da íris (mais significativo em jovens)

Esses sinais são incomuns e indicam formas hereditárias severas. Na maioria das pessoas, o colesterol alto só é descoberto em um exame de sangue de rotina — o lipidograma.

Sintomas de infarto (dor no peito, falta de ar, suor frio) e AVC (fraqueza súbita, fala arrastada, boca torta) são complicações do colesterol alto não tratado — não sintomas do próprio colesterol.

O que causa colesterol alto?

O colesterol elevado resulta de uma combinação de fatores genéticos e de estilo de vida:

  • Alimentação rica em gordura saturada e trans: carne gorda, embutidos, fritura, ultraprocessados e laticínios integrais em excesso elevam o LDL
  • Sedentarismo: a atividade física é um dos principais mecanismos para elevar o HDL
  • Excesso de peso: a obesidade, especialmente abdominal, favorece LDL alto, HDL baixo e triglicerídeos elevados
  • Genética: a hipercolesterolemia familiar afeta 1 em cada 250 pessoas e causa LDL muito alto independentemente da dieta
  • Hipotireoidismo: a tireoide lenta reduz a eliminação do LDL pelo fígado
  • Diabetes e resistência à insulina: alteram o metabolismo lipídico, tipicamente com LDL alto, HDL baixo e VLDL elevado
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP): frequentemente associada a dislipidemia
  • Medicamentos: corticoides, diuréticos tiazídicos e betabloqueadores podem alterar o lipidograma

Como o colesterol alto é tratado?

Mudança de estilo de vida

É sempre o ponto de partida, independentemente de medicação. As mudanças com maior impacto no LDL são:

  • Reduzir gordura saturada (carne vermelha gorda, manteiga, queijo amarelo, coco) e eliminar gordura trans
  • Aumentar fibras solúveis (aveia, feijão, lentilha, maçã, psyllium) — elas se ligam ao colesterol no intestino e reduzem a absorção
  • Praticar exercício aeróbico regularmente: 150 minutos por semana é suficiente para elevar o HDL de forma significativa
  • Perder peso: cada quilograma perdido pode reduzir o LDL em 1–2 mg/dL e elevar o HDL
  • Parar de fumar: o cigarro reduz o HDL e acelera a aterosclerose

Medicação

Quando as mudanças de estilo de vida não são suficientes — ou quando o risco cardiovascular é alto — o médico pode indicar medicamentos:

  • Estatinas (sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina): principal classe, reduz o LDL em 30–60% inibindo a produção de colesterol pelo fígado
  • Ezetimiba: bloqueia a absorção intestinal de colesterol; usada isolada ou em combinação com estatina
  • Fibratos (fenofibrato, bezafibrato): mais eficazes para reduzir triglicerídeos e elevar HDL
  • Inibidores de PCSK9 (evolocumabe, alirocumabe): injeções mensais que reduzem o LDL em até 60% adicionais mesmo em uso de estatina; indicados em alto risco ou hipercolesterolemia familiar
Reduzir o LDL em 1 mmol/L (cerca de 39 mg/dL) reduz o risco de eventos cardiovasculares maiores em aproximadamente 22% — cada ponto importa.

Com que frequência devo medir o colesterol?

A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda:

  • Adultos sem fatores de risco: a partir dos 35 anos em homens e 45 em mulheres, ou antes se houver histórico familiar
  • Quem tem diabetes, obesidade, hipertensão ou histórico familiar de doença cardíaca precoce: a partir dos 20 anos
  • Em quem já usa medicação: repetir o lipidograma 4–12 semanas após iniciar ou ajustar o tratamento

O lipidograma completo inclui colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Alguns médicos pedem também não-HDL, Lp(a) e Apo-B para avaliação mais detalhada do risco.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica se:

  • Seu lipidograma voltou com qualquer valor alterado
  • Você tem familiar de primeiro grau com infarto ou AVC antes dos 55 anos (homens) ou 65 anos (mulheres)
  • Você tem diabetes, obesidade ou pressão alta
  • Está usando estatina e quer saber se a dose está adequada
  • Notou xantomas ou xantelasmas nas pálpebras

O colesterol alto é uma das condições mais tratáveis da medicina. Com avaliação correta e tratamento consistente, o risco cardiovascular cai de forma expressiva.

Dr. Noé Alvarenga
Médico Nutrólogo · CRM-RJ 52 55524-5 · RQE 33056 · Fundador da Nutrobarra

Aqui na Nutrobarra você tem tudo que precisa para tratar seu colesterol com seriedade e competência

Médicos nutrológos dedicados ao seu bem-estar. O que está esperando? Agende sua consulta.

Agendar Consulta