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Obesidade

Obesidade: o que é?

Obesidade é o acúmulo excessivo e patológico de gordura corporal — e quando esse excesso ultrapassa certo limite, o corpo começa a pagar um preço alto por isso.

Escrito por Dr. Noé Alvarenga CRM-RJ 52 55524-5 · Médico Nutrólogo RQE 33056 Atualizado em julho de 2026

Obesidade é o acúmulo excessivo e patológico de gordura corporal. O corpo estocou mais gordura do que deveria — e quando esse excesso ultrapassa certo limite, ele começa a produzir consequências ruins para o organismo.

O que a gordura excessiva faz no organismo

A gordura acumulada em excesso não fica parada. Ela produz substâncias chamadas adipocinas — que são inflamatórias. Essas substâncias inflamam os órgãos: o fígado, o coração, os rins, os músculos, e até o sistema nervoso central.

É daí que vêm várias doenças que o paciente muitas vezes trata separadamente, cada uma com um especialista diferente e um remédio diferente: a hipertensão com o cardiologista, o ácido úrico com o reumatologista, o triglicerídeo alto com outro médico. Mas na verdade, esse conjunto de doenças tem uma causa única: a obesidade. Na Nutrobarra, a gente trata a causa — a mãe de todas essas doenças.

Síndrome metabólica é o nome dado a esse conjunto: aumento da glicemia, da insulina, da hemoglobina glicada, dos triglicerídeos, surgimento de gordura no fígado, e assim por diante. A causa raiz por trás da maioria das doenças crônicas do mundo moderno é a obesidade. Tratar cada uma isoladamente sem tratar a obesidade é como apagar fumaça sem apagar o fogo.

A obesidade e o cérebro

As substâncias inflamatórias produzidas pela gordura também inflamam o sistema nervoso central. Isso gera uma neuroinflamação que piora e agrava todas as doenças de base neurológica e psiquiátrica — incluindo a depressão. Não é coincidência, há uma relação biológica direta.

A obesidade está associada a pelo menos 13 tipos de câncer e a mais de 200 doenças. Isso a coloca como uma das principais causas de adoecimento crônico no mundo moderno.

Graus de obesidade e o IMC

O IMC é um marcador importante para avaliar o paciente com obesidade — mas não é o único. Aqui na Nutrobarra a gente dispõe da bioimpedância, que é um exame que mede objetivamente o percentual de gordura corporal e a quantidade de músculo. Não se trata apenas de ter menos gordura — é ter uma composição favorável, com músculo proporcional à constituição da pessoa.

ClassificaçãoIMC
Sobrepeso25,0 – 29,9 kg/m²
Obesidade Grau I30,0 – 34,9 kg/m²
Obesidade Grau II35,0 – 39,9 kg/m²
Obesidade Grau III≥ 40,0 kg/m²

Esses graus são progressivos: a obesidade grau I vira grau II, e se não tratada, vira grau III. Por isso é importante tratar assim que identificada.

A gordura visceral: a mais perigosa

Existe um tipo de gordura particularmente lesivo: a gordura visceral — aquela gordura intra-abdominal, a famosa barriga de chope. A gordura visceral é a mais lesiva que existe no nosso organismo.

Tem um jeito simples de avaliar isso em casa: pega uma fita métrica não extensível e mede a circunferência abdominal na altura do umbigo.

Valores de risco aumentado:
Homens: circunferência abdominal ≥ 94 cm
Mulheres: circunferência abdominal ≥ 80 cm

Se você se enquadra nesses valores, procure avaliação médica. A gordura visceral elevada é fator de risco para doenças cardiovasculares mesmo em pessoas com IMC normal.

Obesidade sarcopênica: quando a balança engana

Um tipo de obesidade muito comum que tem surgido muito no consultório é a obesidade sarcopênica — quando a pessoa tem muita gordura e pouco músculo. Isso acontece porque a gordura inflama, e essa inflamação atrofia os músculos.

A pessoa às vezes está malhando na academia e acha que vai ter músculo de forma fácil — mas pelo contrário, está subindo ladeira, porque a inflamação da gordura já gera uma atrofia muscular. Quando a gente faz a bioimpedância, a pessoa não parece visualmente obesa, mas o percentual de gordura é equivalente ao de um obeso. É por isso que não se deve confiar apenas na balança.

Para entender melhor a sarcopenia e como tratá-la, temos um artigo específico sobre o tema.

A gordura se autoacumula

Uma vez instalada em excesso, a gordura tende a se autoacumular. Se a pessoa nada fizer, a chance grande é que volte mais pesada. Daí a importância do tratamento precoce — o peso volta por razões biológicas, não por fraqueza.

Existe tratamento eficaz

A boa notícia é que a obesidade tem tratamento. Dieta, atividade física e acompanhamento médico são os pilares — mas em muitos casos o uso de medicamentos é parte essencial do protocolo. Os agonistas de GLP-1, como o Ozempic e o Mounjaro, além de promoverem a perda de peso, têm importante efeito anti-inflamatório — atuando exatamente no mecanismo central da doença. Existem remédios que diminuem essa inflamação muscular gerada pela gordura, e também essa inflamação neurológica.

Muitas das doenças associadas à obesidade — como esteatose hepática, pré-diabetes e resistência insulínica — podem ser muito melhoradas, e muitas vezes até suprimidas, com o tratamento correto da causa raiz.

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