Obesidade é o acúmulo excessivo e patológico de gordura corporal. O corpo estocou mais gordura do que deveria — e quando esse excesso ultrapassa certo limite, ele começa a produzir consequências ruins para o organismo.
O que a gordura excessiva faz no organismo
A gordura acumulada em excesso não fica parada. Ela produz substâncias chamadas adipocinas — que são inflamatórias. Essas substâncias inflamam os órgãos: o fígado, o coração, os rins, os músculos, e até o sistema nervoso central.
É daí que vêm várias doenças que o paciente muitas vezes trata separadamente, cada uma com um especialista diferente e um remédio diferente: a hipertensão com o cardiologista, o ácido úrico com o reumatologista, o triglicerídeo alto com outro médico. Mas na verdade, esse conjunto de doenças tem uma causa única: a obesidade. Na Nutrobarra, a gente trata a causa — a mãe de todas essas doenças.
A obesidade e o cérebro
As substâncias inflamatórias produzidas pela gordura também inflamam o sistema nervoso central. Isso gera uma neuroinflamação que piora e agrava todas as doenças de base neurológica e psiquiátrica — incluindo a depressão. Não é coincidência, há uma relação biológica direta.
A obesidade está associada a pelo menos 13 tipos de câncer e a mais de 200 doenças. Isso a coloca como uma das principais causas de adoecimento crônico no mundo moderno.
Graus de obesidade e o IMC
O IMC é um marcador importante para avaliar o paciente com obesidade — mas não é o único. Aqui na Nutrobarra a gente dispõe da bioimpedância, que é um exame que mede objetivamente o percentual de gordura corporal e a quantidade de músculo. Não se trata apenas de ter menos gordura — é ter uma composição favorável, com músculo proporcional à constituição da pessoa.
| Classificação | IMC |
|---|---|
| Sobrepeso | 25,0 – 29,9 kg/m² |
| Obesidade Grau I | 30,0 – 34,9 kg/m² |
| Obesidade Grau II | 35,0 – 39,9 kg/m² |
| Obesidade Grau III | ≥ 40,0 kg/m² |
Esses graus são progressivos: a obesidade grau I vira grau II, e se não tratada, vira grau III. Por isso é importante tratar assim que identificada.
A gordura visceral: a mais perigosa
Existe um tipo de gordura particularmente lesivo: a gordura visceral — aquela gordura intra-abdominal, a famosa barriga de chope. A gordura visceral é a mais lesiva que existe no nosso organismo.
Tem um jeito simples de avaliar isso em casa: pega uma fita métrica não extensível e mede a circunferência abdominal na altura do umbigo.
Homens: circunferência abdominal ≥ 94 cm
Mulheres: circunferência abdominal ≥ 80 cm
Se você se enquadra nesses valores, procure avaliação médica. A gordura visceral elevada é fator de risco para doenças cardiovasculares mesmo em pessoas com IMC normal.
Obesidade sarcopênica: quando a balança engana
Um tipo de obesidade muito comum que tem surgido muito no consultório é a obesidade sarcopênica — quando a pessoa tem muita gordura e pouco músculo. Isso acontece porque a gordura inflama, e essa inflamação atrofia os músculos.
A pessoa às vezes está malhando na academia e acha que vai ter músculo de forma fácil — mas pelo contrário, está subindo ladeira, porque a inflamação da gordura já gera uma atrofia muscular. Quando a gente faz a bioimpedância, a pessoa não parece visualmente obesa, mas o percentual de gordura é equivalente ao de um obeso. É por isso que não se deve confiar apenas na balança.
Para entender melhor a sarcopenia e como tratá-la, temos um artigo específico sobre o tema.
A gordura se autoacumula
Uma vez instalada em excesso, a gordura tende a se autoacumular. Se a pessoa nada fizer, a chance grande é que volte mais pesada. Daí a importância do tratamento precoce — o peso volta por razões biológicas, não por fraqueza.
Existe tratamento eficaz
A boa notícia é que a obesidade tem tratamento. Dieta, atividade física e acompanhamento médico são os pilares — mas em muitos casos o uso de medicamentos é parte essencial do protocolo. Os agonistas de GLP-1, como o Ozempic e o Mounjaro, além de promoverem a perda de peso, têm importante efeito anti-inflamatório — atuando exatamente no mecanismo central da doença. Existem remédios que diminuem essa inflamação muscular gerada pela gordura, e também essa inflamação neurológica.
Muitas das doenças associadas à obesidade — como esteatose hepática, pré-diabetes e resistência insulínica — podem ser muito melhoradas, e muitas vezes até suprimidas, com o tratamento correto da causa raiz.