Para viver mais. Tá bom pra você? Leia e entenda como estar acima do peso tira anos de sua vida.
A obesidade progride
O primeiro motivo para tratar é simples: a obesidade progride. O sobrepeso vira obesidade grau I, o grau I vira grau II, o grau II vira grau III. Se a pessoa nada fizer, a tendência é piorar — não estabilizar. Quanto mais cedo tratar, menor o esforço e maior a recompensa.
O que os estudos mostram
Os estudos científicos dos últimos setenta anos têm mostrado que toda vez que a gordura se acumula além de certo ponto no nosso organismo, o risco de adoecer — morbidade — e o risco de morrer — mortalidade — aumenta. E isso tem uma relação direta com a quantidade de gordura.
Estatisticamente: dizer que você vai morrer porque está acima do peso, não. Mas numa grande quantidade de pessoas, a gente observa que toda vez que o peso aumenta, a gordura aumenta, a chance de adoecer e de morrer aumenta. Pacientes com IMC acima de 35, a redução da expectativa de vida pode chegar a menos 10 anos. (Fonte: The Lancet, Universidade de Cambridge, estudo com 3,9 milhões de adultos.)
Eu costumo provocar os meus pacientes da seguinte forma: quantos anos você quer viver? O paciente diz: "ah, quero viver oitenta anos." Então só por você ter obesidade severa, você já perdeu 10 desses anos. Você não vai viver oitenta não — vai viver 70.
O que você prefere: tratar os sintomas da doença ou a verdadeira causa? Esta é a pergunta mais importante que você pode se fazer.
A pandemia que abriu os olhos
A gente viu isso muito de perto na pandemia de 2020. De repente, pessoas que estavam acima do peso, com obesidade, começaram a ter desfechos piores da infecção por Covid. E isso pegou todo mundo de susto — porque até então muitas pessoas não relacionavam estar acima do peso a uma comorbidade grave.
O que acontecia nesses casos? A obesidade já traz consigo uma inflamação da gordura. O Covid gerava uma tempestade inflamatória no organismo. Juntava as duas inflamações — a inflamação já existente da gordura com a inflamação do Covid — e aí os órgãos entravam em falência. Entrava uma pane, e a pessoa vinha a óbito.
Para mim, esse foi o momento em que as pessoas deixaram de ver a obesidade como um adereço, sem consequências, e passou a ser algo que deve ser acompanhado e tratado medicamente.
A obesidade é uma doença invisível
Existem pelo menos 13 cânceres ligados à obesidade — e estudos recentes têm levado esse número para 32. Uma pessoa que tem câncer de mama e vem a falecer de câncer de mama: no atestado de óbito não vai estar obesidade, vai estar câncer de mama. No entanto, a obesidade é um fator de risco super conhecido para câncer de mama.
A mesma lógica vale para o infarto: a pessoa que está acima do peso, tem colesterol alto e morre de infarto — no atestado de óbito vai vir parada cardiorrespiratória decorrente de infarto agudo do miocárdio. Mas não vai vir que ela estava acima do peso, que o colesterol estava trezentos, duzentos e cinquenta — decorrente da obesidade.
A obesidade é uma doença invisível que gera consequências, e as pessoas não veem.
Os 13 cânceres associados à obesidade
Classificação CDC/IARC. Estudos recentes têm ampliado esse número para 32.
Por que tratar, afinal?
A gente trata a obesidade para ter mais vida, mais qualidade de vida, maior duração da vida — para poder durar um pouquinho mais nesse planeta, que com todas as suas basezinhas é o planeta que a gente tem, não é mesmo?
Para estar perto dos nossos entes queridos, dos nossos pets, dos nossos parceiros de vida. Para isso que a gente trata a obesidade.
As doenças associadas à obesidade — como resistência insulínica, pré-diabetes, gordura no fígado, triglicerídeos altos e colesterol alto — podem ser muito melhoradas, e muitas vezes suprimidas, com o tratamento correto da causa raiz. Os agonistas de GLP-1, como o Ozempic e o Mounjaro, além de promoverem perda de peso, têm efeito anti-inflamatório importante — atuando exatamente no mecanismo central da doença.